'tás a brincar comigo?

O Museu como link para um outro lugar

In intocável on Agosto 11, 2010 at 1:59 am

Intocável2010  faz uso da performance, do anti-objecto, do teaser, do flyer e da internet como forma de demarcar um lugar para si mesmo. Como atitude niilista e anti-conformista perante a realidade dos mundos da arte em Portugal.

Intocável, etéreo, ténue, subtil, invisível, imaterial, intangível: bens não-físicos que não podem ser tocados pois não têm corpo, apenas podem ser nomeados.

O termo poderá conter em si vários desdobramentos: os Párias, no sistema de castas da Índia, são assim julgados, aqueles que ninguém pode tocar sem se manchar. São os excluídos por serem considerados impuros, imundos, vivem separados do resto das pessoas, não podendo tocar os “não impuros”, nem sequer com as suas sombras.

Numa outra perspectiva do termo, “intocável” passa a ser atribuído a algum objecto, entidade ou realidade superior. Algo que se impõe e ao mesmo tempo se eleva, como uma espécie de Éter. Neste enquadramento, éter diz respeito ao celestial,  à pureza, é o ar respirado pelos deuses… É a luz que queima ao iluminar. Nesta derivação, evoca uma tensão que pode significar tanto “fazer luzir” quanto “escurecer”. Éter é também a substância sem massa, peso ou volume, indetectável, e que não provoca qualquer atrito. É o mundo das ideias. Assim acontece com Intocável2010. Uma presença ténue, contudo estranha, que convida o observador mais curioso para um outro tempo e espaço: o virtual.

A arte como um exercício de inteligência, possível instrumento de activismo é, nesse espaço-tempo por nós criado, mais do que um sistema gerador de produtos (de objectos belos e agradáveis).

A obra desmaterializada por esta tríade de autores toma então vários corpos, várias formas, revestindo-se de conteúdos para adaptar o mundo físico e virtual a nós, e vice-versa.

No espaço físico da exposição o que se apresenta ao olhar do público é um corpo subtil, o equivalente à matéria etérea que é a própria obra exposta no espaço imaterial da internet, que lhe serve de molde para que a Obra se forme.

Os anti-objectos expostos no espaço físico assemelham-se a um relógio visto de perfil, ou a uma quarta parede opaca; convenção teatral que permite ao público ver o que se passa no palco como se assistisse à cena pelo buraco de uma fechadura. Estes anti-objectos podem remeter para aquilo que Duchamp chamou de inframince, que é o que não se pode descrever, apenas exemplificar; ou mais especificamente para a quarta dimensão, para aquilo que Einstein tanto se esforçou por demonstrar, que espaço e tempo são duas grandezas intimamente relacionadas, e que por isso passou a tratar espaço e tempo como uma entidade única: o espaço-tempo.

Intocável 2010 pretende, em última análise, (rec)usar o espaço expositivo, questionando a sua utlização como único ou exclusivo veículo de promoção e legitimação da Obra de Arte. Assim, a instituição aparece-nos como um link para um outro lugar. Um lugar onde reina a subversão e paira a liberdade de expressão. Um lugar onde se realizam os sonhos de todos.

.


 

 

Frederico Diz

Hélder Folgado

Inês Osório

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: